Aula 006 - 1P - Microbiologia e Imunologia

De Nutrição - Multivix 2024
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A imunologia surgiu como campo de estudo no final do século XVIII, quando Edward Jenner desenvolveu a primeira vacina, marcando o início do uso da imunização para proteção contra doenças infecciosas. O sistema imunológico tem como objetivo principal:


Proteger o organismo contra agentes estranhos: Como bactérias, vírus, fungos e parasitas.


Promover o reparo tecidual: Facilitando a cicatrização e regeneração após lesões ou inflamações.


Evitar reações autoimunes: Reconhecendo e tolerando os próprios tecidos do organismo, prevenindo ataques ao "próprio".


Quando discutimos o sistema imunológico, uma célula sanguínea de extrema importância é o leucócito. Se origina da medula óssea, podendo ser de origem MIELOIDE E LINFOIDE.

Hematopoiese.jpg


Hematopoiese

A hematopoiese é o processo de formação e diferenciação das células sanguíneas a partir de células-tronco hematopoiéticas, que ocorre na medula óssea. Essas células-tronco são pluripotentes e seguem dois principais caminhos de diferenciação:

Célula-tronco mieloide origina:

Megacariócitos: Responsáveis pela produção de plaquetas, essenciais para a coagulação do sangue.

Proeritroblastos: Diferenciam-se em eritrócitos (glóbulos vermelhos), que transportam oxigênio.

Mieloblastos: Originam granulócitos como neutrófilos, eosinófilos e basófilos.

Monoblastos: Diferenciam-se em monócitos, que dão origem a macrófagos nos tecidos.

Célula-tronco linfoide origina:

Linfoblastos, que se diferenciam em:

Células NK: Parte da imunidade inata, eliminam células anormais.

Linfócitos pequenos: Dividem-se em linfócitos T e B, essenciais para a resposta imune adaptativa.

Tipos de Imunidade

Imunidade Inata

É a primeira linha de defesa do organismo, presente desde o nascimento. Atua de forma rápida e inespecífica, sem gerar memória imunológica. Suas barreiras incluem a pele, formada por células unidas (barreira epidérmica), e o sebo, que mantém o pH da pele entre 3 e 5, inibindo o crescimento de microrganismos patogênicos. As mucosas, o muco e os cílios também desempenham papéis importantes, removendo partículas e microrganismos. No trato gastrointestinal, a acidez gástrica funciona como uma barreira química, onde o pH baixo do conteúdo gástrico dificulta a sobrevivência de patógenos ingeridos.

Principais Células:

Neutrófilos: Realizam fagocitose, degranulação e produzem armadilhas extracelulares (NETs).

Monócitos/Macrófagos: Fagocitam(envolve, engole e destrói) microrganismos e restos celulares; apresentam antígenos para ativar a imunidade adaptativa.

Células NK (Natural Killer): Atacam células infectadas e tumorais, além de ativarem macrófagos.

Receptores de Reconhecimento de Padrões (PRRs): Identificam PAMPs (patógenos) e DAMPs (danos celulares).


A imunidade inata, como descrito, é uma resposta rápida, inespecífica e sem memória, que reconhece e responde a patógenos e danos celulares. Ela utiliza uma série de mecanismos de defesa, como a fagocitose, degranulação, e a formação de NETs, e é coordenada pelo reconhecimento de padrões moleculares, como PAMPs e DAMPs. A ativação cruzada entre células NK e macrófagos aumenta a eficácia dessa resposta, preparando o corpo para combater infecções de forma mais eficiente.

Imunidade Adaptativa

É a segunda linha de defesa do organismo, desenvolvendo-se após a exposição a antígenos, como microrganismos ou substâncias estranhas. Diferentemente da imunidade inata, ela é altamente específica e gera memória imunológica, permitindo respostas mais rápidas e eficazes em exposições futuras ao mesmo antígeno. Embora seja mais lenta em sua primeira ativação, sua precisão e capacidade de adaptação tornam-na essencial para a defesa a longo prazo.

Principais Células:

Linfócitos B: Produzem anticorpos.

Linfócitos T: Ativam outras células ou destroem células infectadas.

Etapas: Reconhecimento do antígeno; Ativação e proliferação de linfócitos; Resposta efetora: Neutralização ou destruição do antígeno; Formação de células de memória.


A imunidade adaptativa é ativada por meio do reconhecimento de antígenos apresentados por células especializadas, como os macrófagos e células dendríticas. Esse processo leva à expansão clonal, em que linfócitos específicos contra o antígeno proliferam, aumentando o número de células para combater a ameaça. Após a eliminação do patógeno, algumas dessas células se diferenciam em células de memória, permanecendo no organismo para respostas mais rápidas em futuras exposições.


Essa resposta imune pode ser dividida em imunidade humoral e imunidade celular.

Imunidade humoral: Mediada por linfócitos B e anticorpos, é especialmente eficaz contra patógenos extracelulares.

Imunidade celular: Mediada por linfócitos T, é crucial para eliminar células infectadas e patógenos intracelulares.

Imunidade Adquirida

1. Ativa (produção de anticorpos pelo organismo):

Natural: A imunidade ativa natural ocorre quando o organismo é exposto a um patógeno, como um vírus ou bactéria, e reage produzindo anticorpos específicos para combater a infecção. Esse processo leva algum tempo para ser completamente ativado, mas resulta na formação de memória imunológica, que permite uma resposta mais rápida e eficaz caso o organismo seja exposto ao mesmo patógeno novamente no futuro.


Exemplo: Quando uma pessoa é infectada por um vírus, como o sarampo, seu sistema imunológico responde produzindo anticorpos contra o vírus. Após a recuperação, o sistema imunológico "lembra" desse patógeno e pode responder mais rapidamente em uma infecção futura.


Artificial: A imunidade ativa artificial é induzida pela vacinação. Vacinas contêm partes de patógenos inativados ou atenuados (ou suas proteínas) que estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos sem causar a doença. Assim como a imunidade ativa natural, a vacinação também gera memória imunológica, protegendo o organismo contra infecções futuras.


Exemplo: Vacinas contra doenças como a gripe, hepatite ou sarampo. Elas estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos e manter a memória imunológica.

2. Passiva (transferência de anticorpos prontos):

Natural: A imunidade passiva natural ocorre quando uma pessoa recebe anticorpos prontos de outra, geralmente da mãe para o filho, durante a gestação (através da placenta) ou após o nascimento (através do leite materno). Esses anticorpos proporcionam proteção imediata ao bebê contra patógenos, mas não geram memória imunológica. A proteção adquirida dessa forma é temporária, pois os anticorpos transferidos eventualmente se degradam.


Exemplo: A transferência de anticorpos da mãe para o bebê através da placenta, que protege o recém-nascido de infecções nos primeiros meses de vida.


Artificial: A imunidade passiva artificial é adquirida por meio da transferência de anticorpos prontos de um indivíduo para outro. Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio de soros imunológicos ou transfusões de anticorpos. Esse tipo de imunidade oferece proteção imediata contra infecções, mas também é temporária, já que o corpo não produz os anticorpos transferidos, e eles são eventualmente eliminados.


Exemplo: Soros contra venenos de serpentes ou anticorpos contra doenças como o tétano ou raiva, que podem ser administrados quando uma pessoa é exposta a um risco imediato.

Para complementar os estudos:

Leucócitos.jpg

Resposta Imune.jpg

Células NK.jpg
Macrófagos via NK.jpg
Monócitos - Macrófagos.jpg
Destruição Célula - Alvo.png

Receptores.png

Trato Gastrointestinal.jpg