Aula 002 - 1P - Biologia Celular e Molecular
Data: 14/08/2024
Hora: 18:55
Local: Sala 201
Microscopia
A importância da microscopia: Ela permite que o ser humano enxergue estruturas que não são possíveis a olho nu.
Resolução do Olho x Microscópios
- Olho humano: ~0,2 mm (200 micrômetros)
- Microscópio óptico: ~0,2 µm (200 nanômetros)
- Microscópio eletrônico: ~0,2 nm (0,2 nanômetros)
Tipos de Microscopia:
- Óptica:
- Luz
- Fluorescência
- Eletrônica
- Eletrônica de Transmissão
- Eletrônica de Varredura
Luz
Formação da Imagem
Luz -----> Objeto ---> Lente Objetiva -----> Ocular ----> Eixo óptico ----> olhos
A imagem é ampliada multiplicando a ampliação da lente objetivo x lente ocular.
- Condições necessárias:
- Material Fino: A amostra deve ser cortada em seções extremamente finas para permitir a passagem da luz.
- Coloração: Como as células são naturalmente incolores, é necessário o uso de corantes para destacar estruturas celulares específicas. Isso facilita a visualização no microscópio.
- Índice de Refração: A amostra deve ter um índice de refração diferente do vidro da lâmina, permitindo melhor contraste e nitidez da imagem.
- Microtomia:
- A microtomia é o processo de cortar o material em fatias finas usando um instrumento chamado micrótomo. Isso é essencial para preparar amostras adequadas para o microscópio de luz.
- Citoquímica:
- Citoquímica é o estudo da composição química das células utilizando técnicas de coloração específicas. Um exemplo é a Reação de Feulgen, que é um método citoquímico para a detecção de DNA. Nesse processo, o DNA é corado com fucsina, um corante que se liga especificamente ao DNA desoxirribose após hidrólise ácida.
Fluorescência
O microscópio de fluorescência utiliza luz de alta energia, como luz ultravioleta (UV), luz azul ou luz verde, para excitar moléculas chamadas fluoróforos. Cada fluoróforo responde a um comprimento de onda específico de luz, que o faz brilhar em uma cor diferente.
Como funciona
- A amostra é iluminada com uma luz de comprimento de onda específico (UV, azul, ou verde, por exemplo).
- Essa luz excita os fluoróforos, que emitem luz de um comprimento de onda maior (geralmente visível, como verde ou vermelho).
- O microscópio capta essa luz emitida, permitindo visualizar as estruturas celulares com alta clareza.
Eletrônica
- Um feixe de elétrons atravessa a amostra ou varre sua superfície, dependendo do tipo de microscopia (TEM ou SEM). A interação dos elétrons com a amostra gera a imagem.
- Utiliza cortes extremamente finos, feitos com um ultramicrótomo, especialmente na microscopia eletrônica de transmissão (TEM), com espessuras inferiores a 100 nanômetros.
- A coloração da amostra é feita com metais pesados, como ouro, ósmio ou chumbo, que aumentam o contraste ao dispersarem os elétrons.
- Não utiliza vidros como suporte, pois o vidro impede a passagem dos elétrons. Em vez disso, são usados suportes de metal ou carbono.
- As imagens geradas são em preto e branco, com variações de tons de cinza, pois o que se detecta é a densidade de elétrons. Qualquer cor nas imagens é adicionada posteriormente por processamento digital.
Transmissão (TEM):
- Gera imagens em 2D de alta resolução, mostrando detalhes internos da amostra, como células e organelas. As amostras devem ser cortadas em seções ultrafinas para permitir a passagem do feixe de elétrons.
Varredura (SEM):
- Produz imagens tridimensionais (3D) da superfície da amostra, mostrando a topografia em detalhes. O feixe de elétrons "varre" a superfície da amostra, criando a ilusão de profundidade.
Membrana Plasmática
- São estruturas que delimitam as células e mantém as diferenças essenciais entre citosol e meio extracelular. #citosol
- Delimita a célula, mas não envolve organelas. Quem envolve as organelas são as membranas internas, como as do retículo endoplasmático e das mitocôndrias;
- Todas são compostas por uma bicamada lipídica. Não existe membrana que exista sem lipídeos.
- Capacidade de movimento e expansão.
- Permite a troca de materiais.
- Troca de sinais (sinalização)
As células procarióticas têm apenas uma membrana plasmática. As eucarióticas têm várias membranas internas além da plasmática.
Estrutura de Membranas
- Modelo de Sanduíche - Dawson e Danielli (1935)
- Modelo do Mosaico Fluido - Singer e Nicholson (1972).
- A membrana plasmática é formada por uma bicamada lipídica, com proteínas inseridas ou associadas a essa bicamada.
- As regiões mais externas da bicamada são hidrofílicas (polos hidrofílicos) e interagem com a água.
- A região central da membrana é hidrofóbica, formada pelas caudas de ácidos graxos dos lipídios, criando uma barreira à passagem de substâncias polares.
Membrana Biológica: Bicamada lipídica (ou fosfolipídica) com várias proteínas inseridas nessa bicamada.
Moléculas anfipáticas → Possuem uma parte polar (hidrofílica), que se dissolve em água, e uma parte apolar (hidrofóbica), que se dissolve em gorduras ou óleos. Elas ajudam a misturar substâncias que não se misturam naturalmente, como água e óleo. Um bom exemplo é o detergente, que usa essa propriedade para remover gordura na água.
Os 3 tipos de Lipídeos de Membrana
- Fosfolipídios: Considerada a mais importante
- Esteróis (Colesterol): Quanto maior colesterol, mais rígida é a membrana.
- Glicolipídios
Proteínas de Membrana
- Integrais ou intrínsecas
- Periféricas ou extrínsecas
Suas funções são:
- Transportadores e Canais
- Âncoras
- Receptores (sinalização)
- Enzimas (função enzimática).
A única função dos lipídeos na membrana é delimitar. Todas as demais funções são realizadas pelas proteínas, tanto integrais quanto periféricas.
Propriedades das Membranas
Fluidez
A fluidez varia conforme a composição dos lipídios da membrana.
- Cadeias de hidrocarbonetos saturadas: Quanto mais saturadas (sem duplas ligações), menor a fluidez, pois as cadeias ficam mais compactas.
- Cadeias de hidrocarbonetos insaturadas: Quanto mais insaturadas (com duplas ligações), maior a fluidez, pois as duplas ligações criam dobras que impedem o empacotamento apertado dos lipídios.
O colesterol regula a fluidez da membrana. Em temperaturas mais altas, ele reduz a fluidez ao restringir o movimento das cadeias lipídicas. Em temperaturas mais baixas, ele impede o empacotamento excessivo dos lipídios, aumentando a fluidez.
Assimetria
A membrana é assimétrica, com diferentes tipos de lipídios e proteínas distribuídos entre as faces interna e externa. Isso contribui para a funcionalidade e a especificidade de interação da membrana com o ambiente.
Elasticidade
A membrana é flexível e pode se deformar para permitir a movimentação celular e a formação de vesículas, como na endocitose e exocitose.
Capacidade de Regeneração
A membrana possui uma capacidade de auto-regeneração, reparando pequenas rupturas através do rearranjo de seus lipídios e proteínas.
Resistência Elétrica
A bicamada lipídica atua como um isolante elétrico, impedindo a passagem de íons e elétrons diretamente através da membrana, devido ao caráter apolar dos lipídios. Entretanto, elétrons e íons podem atravessar a membrana via proteínas especializadas, como canais iônicos ou transportadores, que facilitam essa passagem.
Permeabilidade Seletiva
1. Tamanho
- Moléculas pequenas (como O₂ e CO₂) passam facilmente através da bicamada lipídica, pois podem se difundir por entre os lipídios.
- Moléculas grandes (como proteínas e polissacarídeos) não conseguem atravessar a bicamada lipídica de forma simples e necessitam de transportadores ou canais específicos.
2. Polaridade
- Moléculas apolares (hidrofóbicas), como lipídios e gases, podem atravessar a bicamada lipídica com facilidade, pois interagem bem com o ambiente apolar das caudas de ácidos graxos da membrana.
- Moléculas polares (hidrofílicas), como água e glicose, enfrentam dificuldade ao passar diretamente pela bicamada lipídica, mas podem atravessar por meio de canais específicos (ex.: aquaporinas para água) ou transportadores.
3. Carga
- Íons carregados (como Na⁺, K⁺, Ca²⁺, Cl⁻) não podem atravessar a bicamada lipídica diretamente devido à natureza apolar dos lipídios, que repelem substâncias carregadas. Para esses, há necessidade de canais iônicos ou transportadores, que criam uma via apropriada para a passagem dos íons.
- Moléculas não carregadas podem atravessar a membrana com mais facilidade, desde que sejam pequenas e apolares.