Aula 005 - 1P - Microbiologia e Imunologia
A resistência antimicrobiana ocorre quando uma bactéria desenvolve mecanismos que neutralizam a ação de antimicrobianos, tornando o tratamento ineficaz.
• Resistência Bacteriana: Capacidade das bactérias de sobreviver e se multiplicar na presença de concentrações terapêuticas de um antimicrobiano que antes seria eficaz contra elas.
• Antimicrobianos: Compostos que matam ou inibem o crescimento de microrganismos, podendo ser bactericidas (matam) ou bacteriostáticos (inibem o crescimento).
Mecanismos de Resistência
• Produção de enzimas que degradam ou modificam o antibiótico: Exemplo é a Betalactamases, que inativam penicilinas e cefalosporinas.
• Redução da permeabilidade da membrana externa: Diminui a entrada do antimicrobiano na célula bacteriana, especialmente em bactérias Gram-negativas.
• Sistemas de efluxo hiperexpressos: Bombas que expulsam o antimicrobiano para fora da célula antes que ele alcance o alvo.
• Alteração do sítio de ligação do antibiótico: Mutações ou modificações nas moléculas-alvo impedem que o antibiótico atue.
• Bloqueio ou proteção do sítio-alvo: Proteínas adicionais impedem a interação do antimicrobiano com seu alvo.
Tipos de Resistência
• Resistência Intrínseca: Natural de algumas espécies bacterianas devido à sua estrutura ou metabolismo.
• Resistência Adquirida: Surge de mutações ou pela aquisição de genes de resistência por mecanismos como:
Conjugação: Transferência por plasmídeos.
Transformação: Captação de DNA livre.
Transdução: Transferência por bacteriófagos.
Os antimicrobianos devem ser capazes de:
Classificação dos Antibióticos
Espectro de Ação:
• Amplo Espectro: Atua contra Gram-positivas e Gram-negativas.
• Baixo Espectro: Atua de forma mais seletiva, causando menos impacto à microbiota.
Modo de Ação
• Bactericida: Mata diretamente as bactérias.
• Bacteriostático: Inibe o crescimento bacteriano, dependente do sistema imunológico.
Grupos Químicos e Mecanismos de Ação
• Betalactâmicos: (Penicilinas, Cefalosporinas) – Inibem a síntese da parede celular.
• Glicopeptídeos: (Vancomicina) – Bloqueiam a formação do peptidoglicano na parede celular.
• Aminoglicosídeos: (Gentamicina) – Afetam a síntese proteica no ribossomo 30S.
• Tetraciclinas: (Doxiciclina) – Bloqueiam a síntese proteica no ribossomo 30S.
• Macrolídeos: (Eritromicina) – Inibem a síntese proteica no ribossomo 50S.
• Quinolonas: (Ciprofloxacino) – Inibem a replicação do DNA (DNA girase).
• Sulfonamidas: (Sulfametoxazol) – Interferem na síntese do ácido fólico.
• Polimixinas: (Colistina) – Alteram a membrana externa de Gram-negativas.
• Oxazolidinonas: (Linezolida) – Bloqueiam a iniciação da síntese proteica.
• Rifamicinas: (Rifampicina) – Inibem a síntese de RNA.
Importante compreender
Resistencia: É a forma que as bactérias encontram para neutralizar o efeito do antibiótico.
Uma bactéria é considerada resistente a determinado antibiótico quando continua a multiplicar-se na presença de níveis terapêuticos da droga.
Tolerância: A tolerância aos antimicrobianos é definida como a capacidade da bactéria mostrar-se sensível à concentração inibitória mínima (CIM) do antibiótico, porém, apresenta-se com maior capacidade de sobreviver na presença da droga, ou seja, não sofre a ação da concentração bactericida mínima (CBM) habitual. Em termos práticos, a bactéria é incapaz de multiplicar -se, mas ainda pode permanecer viável no sítio da infecção.
Persistência: As bactérias não são resistentes aos antibióticos mas continuam simplesmente a existir em um estado dormente ou inativo quando expostas ao tratamento antibacteriano. Estas bactérias mais tarde “despertam”, quando o tratamento acaba, retomando suas ações patogênicas . Esse mecanismo ainda não está totalmente claro!